Jay-Z com Alicia Keys"Empire State Of Mind"
Jay-Z com Alicia Keys
Air France Minha memória precisa de música para gravar os fatos. Se ouço Dot Allison ou Bloc Party me vem à mente tudo o que eu fiz em 2004 e 2006, respectivamente. As andanças e as frases. Daqui a alguns anos, muitos anos, vou lembrar de todos os passos (isso não é uma metáfora, são os passos na rua mesmo - olhando para o chão, para os lados ou para alguém em determinada hora, minuto e segundo), vou me lembrar de alegrias e cagadas desses últimos três meses ao ouvir "June Evenings", do Air France (o June veio por acaso). Apesar da aparência, eles não tocam rocks infantis e ainda prestam tributo aos Happy Mondays numa das faixas do disco. Étereo, baleárico, tranqüilo, "bliss post-rave" (como eu adoro esses rótulos da Wikipédia!). Minha trilha desses tempos.
O Blogspot ficou bacana: você pode deixá-lo mais bonito, colocando umas figurinhas ali do lado, pode montar uma "capa" diferente dos modelos oferecidos (acima), e está mais fácil colocar os links dos sites prediletos. O problema é que alguma coisa deu errado na configuração dele. Você digita o texto, muda a fonte, coloca fotos, música etc, mas quando vai visualizar... Trabalho perdido. É como se todos os seus comandos fossem inúteis! Daí a preguiça em postar uma música todos os dias, como era da minha vontade.
Uma vez era para eu ter visto vários shows num festival. Mas cheguei numa tenda enorme onde havia apenas quatro pessoas que estavam meio tímidas, olhando para o dj Renato Ratier, que tomava tranqüilamente sua cerveja enquanto procurava o próximo cd para tocar. Adeus, Devo, CSS etc! Estava rolando essa "Konkorde Lafaytte" da dupla Padded Cell, que é totalmente hipnótica e me fez parar naquela discotecagem maluca por muitas horas. Baixo poderoso, bongôs baleáricos, solos e samples de metais de disco music. Absurdo.
Você acorda tarde num sábado ensolarado, pensando em ir num lugar legal, de preferência ao ar livre para aproveitar o dia. Sai de casa, mas no meio do caminho o tempo fecha e começa a chover. O trânsito não chega a parar, mas o asfalto está liso e os vidros do carro estão embaçados. Você não perde a paciência nem fica triste a ponto de querer morrer ouvindo Portishead. Mas então, o que escutar numa hora chata dessas?
O som do Spektrum é um funky-punk tão doido quanto seus integrantes, que costumam andar de bicicleta peladões pelas ruas. Enter...The Spektrum (2004), o primeiro álbum deles, também é uma espécie de atentado ao pudor: provocador e difícil de entender. Tem uma música ("Lycnee Juice") que ainda toca nas pistas de disco punk mais bacanas (leia o post Pílulas Anti-Desânimo) e é tão boa que você pode até permanecer vestido, mas vai dançar onde quer que a esteja ouvindo.
O Marcos Morcerf é dj residente no club D-Edge, todas as sextas, e mensalmente faz a festa Avesso, no Vegas Club - as duas casas em São Paulo. Ele também tem um projeto chamado Pink Monkey Flower, em que atua como produtor. O som do Pink é mais ou menos o que ele toca nas festas: cosmic disco, disco punk e afins (um pouco mais cru e menos emocional). O cara é muito gente boa e sua discotecagem tem poder de cura: é a única coisa que me faz sair de casa à noite.
Marvin Gaye + Prince = Steve Spacek. Como eu gosto de rótulos, o estilo de música que esse Steve Spacek faz a gente pode chamar de ambient soul, o que além de cool é verdadeiro, porque é uma espécie de black music reflexiva e eletrônica. Ele também sampleia (como a Ada do post de baixo), nessa linda "Dollar", do disco Space Shift (2005), um trecho de uma sílaba cantada (circula - yyyyyyyy - te) e a usa como uma nota de teclado que vai cortando a música até o fim. Bom isso!
Sem um bom headphone ou umas caixas legais você não pode apreciar Blondie, o disco de microhouse (adoro esses rótulos!) de uma garota alemã chamada Michaela Dippel, mais conhecida como Ada. Ela gravou este disco em 2004. De lá para cá nunca mais tive notícias (sei que ela discotecou em São Paulo, em 2005).
O que acho incrível nesta "Cool My Fire (I'm Burning)" é que ela sampleia uma parte da própria voz e usa o último som de algumas palavras (desire, por exemplo) como um segundo teclado, tocado com uma nota só.
A banda é Cassandra Complex. Não sei nada sobre ela, e isso mitifica a coisa toda, como por exemplo: as lembranças de ter dançado "Penny Century" com uma turma de amigos nos tempos do colegial, num club que não existe mais. Só sei que esta música faz parte de uma coletânea gótica chamada Black Sundays Compilation Two, a qual eu comprei de um gótico que precisava vender algumas coisas inúteis, como sua coleção de discos, para poder levar chocolates para a filha.
Chemical BrothersPutz, como eu gosto desses caras! O furacão "Block Rockin' Beats" passou em 1997.
Era até comum ver roqueiros xiitas e senhorinhas respeitáveis arriscando uns passos de dança. Porque é impressionante a capacidade desses dois nerds ingleses (Tom Rowlands e Ed Simons) em tirar você do normal e te arrastar prá pista.Classificar o som dos Chemical Brothers é difícil. Vale tecno, trip hop, big beats ou acid house, mas o importante é não esquecer que essa máquina de fazer música não trabalha sem o ingrediente humano fundamental: sentimento. Ouça essa "Saturate", que é do último e ótimo disco, We Are The Night (2007). Veja para onde ela te leva e tente sair ileso. Aquele "crescendo" (nem sei se é isso), impulsionado desde o começo por um teclado insano e acompanhado de uma batida mínima é a própria trajetória rumo a uma espécie de ataque cardíaco, motivado por uma sensação gostosa e estranha no início, mas que exatamente no segundo minuto mais dez segundos da música arrebenta seu peito.
Quando os arqueólogos do futuro estudarem nossa sociedade e cultura, o disco Play do Moby será tido como um marco na história da música. Na verdade, para mim, ele já é! Tirando as faixas experimentais de folk e IDM, o álbum inteiro tocava em todos os lugares em que você estivesse nos idos de 1999, 2000 e 2001. Pena que a maioria das pessoas sejam desatentas com a música pop (principalmente música eletrônica) e torcem o nariz para qualquer norte-americano, mesmo que ele seja vegan e pacifista como esse cara. Naquela época tocava o Play até nas festas de criança, com "Body Rock" alto na vitrola. Parava-se no posto de gasolina e, claro, dá-lhe "Honey". Fila do Carrefour? Opa, "Porcelain".
É um disco perfeito. Ainda hoje, quando escuto "Natural Blues", tenho a mesma sensação que tive na primeira vez que ouvi: um misto de alegria e tristeza, frio e calor, esperança e desencanto, sei lá, não sei... É incrível o Moby, só isso.
Eu tinha batido o carro na terça - estava de ônibus naquele sábado quente. Encontrei uma garota morena e linda, vestida de uma maneira que me agradou. Puxei conversa. Era conhecida (eu não teria tamanha ousadia se não fosse). Passei meu msn, mas ela não me adicionou. Disse que estava indo para uma tal de Virada Cultural no centro de São Paulo. Achei perigoso ela andando por aí (por que sempre achamos que as garotas espetaculares são frágeis e precisam da nossa proteção?). "Vou encontrar umas amigas pra irmos na Virada Cultural. Sério que você não tá ligado?" Ah, eu amava aquele palavreado rude, saindo daqueles lábios tão femininos e adoráveis! "Não, como é?" Ela citou artistas do calibre do Zé Ramalho, o que me fez ter uma péssima impressão da festa. Para piorar, no domingo o Fantástico queimou o filme do evento, mostrando brigas entre PMs mal pagos e manos insandecidos no show dos Racionais. Pobre Dani. Nunca mais vi aqueles lindos lábios no bairro, aquelas mãos delicadas e suas unhas bem feitinhas. Fiquei preocupado.
Mas nada. Semana passada, lá estava eu naquele mesmo centro onde a Dani estivera um ano atrás, e na mesma festa. Era o set do Metro Area, eu não poderia perder. Foi maravilhoso ouvir música boa (como esta aqui), ao ar livre, naquele centro velho restaurado que, sem os mendigos que por lá circulam durante a semana é bem charmoso. Enquanto descansava de dançar, tomando cerveja com amigos, olhei o céu negro, os prédios antigos e pessoas legais dançando. Várias garotas como a Dani. Entre uma faixa do Metro Area, cervejas, e outra faixa, pensei que ela pudesse estar ali - ou quem sabe morta desde o ano passado.