8.11.09

ONE HAND IN THE AIR FOR THE BIG CITY

Jay-Z com Alicia Keys
"Empire State Of Mind"
The Blueprint 3 (2009)
H
Hoje ouvi, arrepiado, essa música junto com uma pessoa de que gosto muito. "Realmente emocionante", ela disse. Mais tarde conversamos sobre como as cidades são poderosas. Todas elas. Porque algumas prendem seus pés na terra e não os soltam nunca, não deixam você evoluir, passar da montanha... Outras são acolhedoras, lares, refúgios mesmo, ainda que você se esqueça de agradecê-las por isso. E há aquelas que só aceitam você como um simples turista e nada mais. Você pode até sonhar em viver nelas, mas elas não querem você por muito tempo, não aceitam você. Concordamos então que escolher uma cidade para viver é uma tarefa delicada e até um pouco perigosa.

A nova música do Jay-Z com a Alicia Keys fala um pouco sobre esses sentimentos, mais especificamente do amor por uma que é uma "selva de concreto onde os sonhos são construidos". Alicia evoca a cidade entregando toda sua alma na canção. É realmente emocionante.

23.10.09

Ó O REGGAE AE OW

Horace Andy
Nice and Easy Dub
This Is Dub: The Original Dub Masters (2007)
H
Esse é o cara. Uma voz estranha, mas não menos envolvente. Ele fazia umas participações em discos do Massive Attack e foi ali que comecei a prestar atenção e me encantei por este senhor, o Horace Andy. O bom do dub é que você pode aumentar no talo que não danifica as oreia e você sente bem no peito o baixo pulsante. Quero ir numa festa só de dub. Ah, me deixa...

25.9.09

O VERÃO DE 1993

Digable Planets
"Rebirth of Slick (Cool Like Dat)"
Reachin' (A New Refutation of Time and Space) - 1993
H
Por mais que eu lute contra esse costume bem atual de enjoar das coisas, eu fico enjoado das coisas. Já fiquei cansado de rock alternativo (de ficar pesquisando novidades) tem algum tempo, e tô começando a enjoar de eletrônica também. Talvez seja uma fase, ou quem sabe a senilidade batendo hehe. Sei que seria o meu fim se eu deixasse de gostar de música. Então sempre encontro soluções. Tenho ouvido alguma coisa de jazz e de rap, e aí volto para o bom jazz-rap, como o Digable Planets. Ah, bons tempos o verão de 1993...

12.9.09

I AM THE RESURRECTION

The Stone Roses
"I am the resurrection"
The Complete Stone Roses (2005)
H
Eu estava vendo uns pedaços daquele filme horrível chamado Hooligans. Tem uma hora em que os caras se encontram num pub para tomar cerveja, ensaiar os gritos para o próximo jogo e decidir os locais da porrada. Há uma música de fundo, tocando no bar, e ela é "Waterfall" do Stone Roses (clique). Parece inacreditável que uma música tão linda como aquela possa tocar num lugar lotado de torcedores selvagens. Não sei, vai ver é algo no inconsciente coletivo inglês, que faz de um fato como este (seres brutais escutando música doce) uma coisa normal. "A vida é cheia de som e fúria" é uma frase do Shakespeare, deve ser isso. Não sei, nunca vai dar para entender direito. Mal comparando, seria como se a Gaviões ou a Mancha ouvisse alguma coisa inteligente e bem brasileira em suas quadras, ao invés de pagodes burros. Mesmo assim, quando se trata de culturas a comparação é sempre capenga, é como ler a tradução de um livro, parte da essência se vai.

Mas a associação de música boa com futebol não para por aí. Eu me lembro de uma reportagem na Bizz dizendo que "I am the resurrection" tocava no estádio do Manchester United antes dos jogos, e as pessoas levantavam os braços no refrão. O Kid Vinil também tem uma história parecida: diz que foi ver um jogo e tocou "There she goes" do La's, outra música de arrepiar.

Não é uma questão de ser um caipira paga-pau e idiota (ok, é). Veja bem: o brasileiro se acha porque a seleção é pentacampeã mundial. Mas foram os caras que inventaram o futebol. E pior, trouxeram-no para cá. O Machado de Assis, nosso melhor escritor, chupinhou Laurence Sterne. Eles também inventaram o capitalismo, com tudo o que o sistema tem de bom e de ruim, mas, por outro lado, queimaram as máquinas e exigiram direitos trabalhistas. E foi o único lugar na Europa em que Marx teve paz para escrever "O Capital" (lembro da minha professora de Literatura Inglesa na faculdade, reacionária pra caramba, mas muito engraçada, tirando um sarro, imaginando a rainha dizendo: "pode escrever seus manifestos aqui barbudão, nós deixamos, somos uma democracia e nada disso aí nos abala". Ela tinha razão, porque a Magna Carta diz assim: "Nenhum homem livre será preso, aprisionado ou privado de uma propriedade, ou tornado fora-da-lei, ou exilado, ou de maneira alguma destruído, nem agiremos contra ele ou mandaremos alguém contra ele, a não ser por julgamento legal dos seus pares, ou pela lei da terra.") A Constituição deve ter meia dúzia de direitos e deveres e as coisas funcionam relativamente bem. A nossa tem milhares de emendas para uns três mil e as coisas não funcionam como deveriam. Então é só uma questão de parar e pensar nas diferenças, não de pagar um pau simplesmente. Como em todo lugar, logicamente que há imbecis e estúpidos, há nazistas e a Margaret Thatcher.

Não estou ligando para o país em si, eu odeio o frio, só estou tentando entender porque os hooligans ouvem Stone Roses, e Stone Roses eu amo. A história de como surgiu o movimento denomiado Madchester, do qual a banda faz parte, é que me fascina. Primal Scream, Happy Mondays, Inspiral Carpets, James, bandas que misturavam rock com dance... e depois a house, a acid house, a bagunça, aquele jeito maluco de dançar, o nascimento das raves e do culto ao dj. A coisa mais fantástica da história do rock.

"I am the resurrection" é uma música dançante sobre o fim de um relacionamento. É um 'eu' com raiva quem fala. A garota sempre aparece para encher o saco dele, querendo voltar, mesmo sendo ela a responsável pela separação. "Não gaste suas palavras, não preciso de nada seu. Não quero saber onde você está nem o que está fazendo." Apesar de tudo, o cara não consegue odiá-la como gostaria. "Eu sou a ressurreição, eu sou a luz", assim canta Ian Brown, assim canta a torcida do Manchester com os braços levantados. Parece uma canção machista, e realmente é! Ian Brown é um hooligan, mas também ama.

(para ouvir, basta clicar em skip this ad se aparecer uma propaganda)

7.9.09

7 DE SETEMBRO DE 2009

Kuniyuki
"Flying Music (Rhythm And Trumpet Remix)"
Single (2008)
H
Ruas vazias hoje de manhã. Feriado. Solzinho. Preguiça. Sossego. Que tipo de música pode acompanhar isso? Minimal, claro! Com um trompete humanizando os bits, é refresco.

Para ouvir, pule a propaganda ridícula que vai aparecer, clicando em skip this ad, acima à direita.

SOSSEGO

Marius
"Disco Drummer (Dicky Trisco Version)"
Single (2009)
H
Tinha voltado a ouvir discos antigos do Charlatans, Edwin Collins, Pixies e Sigur Rós (leia o post abaixo). Coincidentemente, algumas coisas começaram a pipocar erradas e um pouco caóticas. Ora, como música para mim é vida, é melhor abandonar aquela a nostalgia de vida velha, isto é, é melhor escutar alguns lançamentos legais que misturam disco, house e sossego, é melhor olhar para frente.

Ah, que saco, eu uso o Z-Share para oferecer as músicas deste blog. O problema é que agora há uma propaganda ridícula que impede a audição imediata do arquivo. Tem de clicar em skip this ad acima à direita.

2.9.09

A MÚSICA MAIS TRISTE DO MUNDO E AS MARGINAIS

Sigur Rós
"Gong"
Takk (2005)
H
Quer fazer chorar o ser mais brutal, o mais insensível dos brutos? Bote essa Gong do Sigur Rós para tocar. Ok, estou exagerando, pouca gente entende ou quer entender o som dessa banda e menos pessoas ainda gostam de sofrer. E mesmo quem entende não entende tanto, porque pouquíssimos devem saber a língua islandesa. Mas é ai que a coisa fica interessante, já que você tem de traduzir a totalidade da música do Sigur Rós em apenas imagens deslocadas de distância, grandiosidade e... gelo. Quando escuto "Gong", me penso perdido, sozinho, perplexo, desamparado, num lugar desconhecido, talvez pegando uma estrada que não tem fim, que dá para o lugar nenhum, ou numa estrada circular tão imensa que não consigo perceber que estou o tempo todo voltando, passando pelos mesmos lugares.

Uma vez, há muito tempo, quando eu peguei uma das marginais em São Paulo e não sabia em que direção estava, coloquei "Gong" no carro. Quem estava comigo começou a chorar, pela perda da referência, mas principalmente depois do terceiro minuto e vinte segundos da música. Agora, a coisa mais incrível é que essas imagens de estradas não são algo que só eu penso. No Youtube há pelo menos 4 vídeos caseiros tendo essa música como trilha sonora, e em todos aparecem as estradas!

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22.8.09

SÓ DOIS FÃS

A Forest Mighty Black
"Everything (Vocal Version)"
Mellowdramatica Remixed (1999)
H
Esse A Forest Mighty Black é muito gostoso de ouvir, sério mesmo. É calmo, tem o gosto daquelas bandas que misturavam trip hop, jazz, big beats, vocal feminino e dub no final dos anos 90, como o Propellerheads e Thievery Corporation. Ninguém os conhece, me parece. Na comunidade deles no orkut há apenas dois zé manés: o dono da mesma e eu.

19.8.09

ATÉ QUE ENFIM! ATÉ QUE ENFIM!

Pública
"Casa Abandonada"
Como Num Filme Sem Um Fim (2009)
H
Há tempos que venho procurando por um rock que fizesse as pazes comigo, me deixasse feliz, me fizesse sorrir e até chorar ao mesmo tempo, me fizesse ter esperanças, que falasse um pouco de mim, me permitisse passar o ridículo outra vez ao dançar de olhos fechados com uma air guitar. Já tinha desistido, por isso nem acompanhava mais os lançamentos indies nacionais. Até que deixei na MTV agora há pouco, enquanto sujava meus dedos com uma enorme bombona de chocolate no sofá e... apareceu isso aí. Eu já tinha ouvido esses caras, mas desta vez eles se superaram.

Dancei até os meus pés não poderem mais
Estava tão contente, como um rei
Achando graça nas coisas mais normais
De noites impossíveis de esquecer

A casa abandonada
As luzes estreladas
O palco mais belo
Eu voltei pra casa abandonada
Pra casa onde não devemos nada pra ninguém
H

16.8.09

YOU'VE GOT THE LOVE

The Source com Candi Staton
You've Got The Love (Original Mix)
Single (2006)
H
Um lugar legal, com uma pessoa especial. Enfim, a noite perfeita. Qual deve ser, então, a música para marcar essa ocasião? Cada um deve ter a sua, mas ontem o que ficou para mim foi "You've Got The Love", do The Source com Candi Staton, a pista, as luzes... Ah, sim, é a música que tocou no final da série "Sex And The City".


13.8.09

O VERÃO DE 1998

Bran Van 3000
"Drinking In L.A."
Glee (1998)
H
Um dia ainda vou escrever um livro com o maravilhoso título de "O verão de 1998". Em 1998 era lançado o álbum Glee, dessa banda criativa e muito louca chamada Bran Van 3000. Tem tudo no caldeirão deles: hip hop, trip hop, psicodelia, eletrônica, rock, reggae etc. Eu me lembro que no verão de 1998 ouvi "Driking In L.A." até gastar o cd.

8.8.09

ÍTALO DISCO 03

Nathalie
"My Love Won't Let You Down (SirBilly Dub Re-Edit)"
Single (1983)
H
Todo mundo tem o seu lado brega. Eu já disse uma vez que ítalo disco é um estilo um tanto cafona. As letras são piegas, é verdade, mas eu adoro! São canções com batidas fortes e altamente dançantes. Tem gente que gosta do Bruno e Marrone. Eu prefiro a Nathalie, com "My Love Won't Let You Down".

7.8.09

TALKING HEADS PARA PISTAS

Talking Heads
" Talking Heads - Psycho Killer (Lexicon Avenue Remix)"
Single
H
Ótima ideia pegar uma música ao vivo e remixá-la. O clássico "Psycho Killer" ganhou um encanto maior com isso, ficou lindo!

29.7.09

FELLINI

Fellini
"Teu Inglês"
3 Lugares Diferentes (1987)
Studio SP - 29 de Julho de 2009
H
Hoje tem show desses caras em São Paulo. Vai ter tumulto para entrar. O Fellini era a banda para quem o Renato Russo mais pagava pau no mundo. Banda brasileira com influência de rock britânico só é boa quando as letras são maravilhosas mas você não consegue pegar tudo o que o vocalista está dizendo.

28.7.09

NIGHT FLIGHT

The Revenge
"Night Flight"
Night Flight (2008)
H
Sexta-feira vou sair para ouvir nu disco (ops, Twitter?), bem caladinho, e espero que toque The Revenge com "Night Flight", uma bela viagem de seis minutos com pouquíssimo discurso, para eu ficar bem contente. Por falar em discurso, tenho falado muito ultimamente - isso atrapalha. Pense na vantagem da música eletrônica: há pouca ou nenhuma voz. Pense na desgraça que é o Senado brasileiro, cheio de discursos vazios na tribuna. Pense no sucesso do Twitter, onde se louva o nada. Discursos irritam.

27.7.09

NOTINHAS CONFUSAS

Severed Heads
"Dead Eyes Opened (Joakim Edit)"
em Tiefschwarz - Misch Masch I
H
Ah, que confusão! O cara da foto é o Joakim, um dj francês que também produz coisas bem legais. Essa música está numa coletânea de remixes da dupla alemã Tiefschwarz (que eu adoro). Originalmente ela é de uma banda australiana dos anos 80 chamada Severed Heads. O que eu mais gosto aqui é da atualizada que o Joakim dá no som sem perder aquela beleza e melancolia originais. A nota informativa é que este narrador, que mal se ouve ao longo da música, está falando sobre o assassinato de uma mulher com requintes de crueldade, talvez uma parte de alguma história escrita por Edgar Wallace, um escritor inglês de contos policiais. A nota subjetiva típica de blogs é que uma vez eu estava voltando a pé para a casa, numa noite em 2006, sei lá de onde (São Caetano do Sul?), pensando numas coisas meio confusas, ouvindo isso, no repeat (é só o que eu tenho a dizer).

22.7.09

IGGY DE TERNO E GRAVATA

Iggy Pop
"I Want To Go To The Beach"
Preliminaires (2009)
H
O cara pode demorar setenta anos, mas uma hora ele precisa crescer. Quando li que o novo disco do Iggy Pop tinha teor quase zero de rock, resolvi experimentá-lo. E que disco! Combina com terno e gravata, só não encontrei nenhuma foto do velho iguana a Leonard Cohen.

20.7.09

TUDO COMEÇOU NA ÁFRICA

Femi Kuti
"Do Your Best (Faze Action Remix)"
Passion (2003)
H
Recorrer ao underground talvez seja mais uma forma de se esconder do que uma postura arrogante. O Theo Becker, aquele que tem dois dois braços, um irmão do outro, prontos para matar, tem uma banda de rock (rrrock ennn rrrrolll, cara!). A Wanessa Camargo anda tocando música eletrônica. Weezer, pff, faz cover eletrônico em seus shows! Há quatrocentas mil pessoas na comunidade "Eu amo música eletrônica" no Orkut, todas falando em "design e dos churras em Floripa e Sampa, uma puta sacada, mór galera no staile, cheio de minas desse naipe ó, facinho, muita breja, todo mundo nessa pegada pra dar um up no finde e começar a semana suave". O que fazer? O que me resta? Para onde vou?

Bem, o Femi Kuti é afrobeat e o Faze Action é nu disco. Boa mistura. Deve ser esse um caminho. Só espero que a Ivete Sangalo não o descubra nunca.

15.7.09

PERDIDO NA TRADUÇÃO

Ride
"Vapour Trail"
Nowhere (1990)
H
Para que você possa continuar vivendo, alguns eus dentro de você devem desaparecer. Esse questionamento aparentemente sem sentido me veio à cabeça outro dia quando esse velho e lindo disco do Ride caiu nas minhas mãos depois de tanto tempo esquecido. Bons e maus tempos, parafraseando Charles Dickens, aqueles em que eu saía para dançar Ride. Pode-se, hoje, rodar o mundo inteiro e procurar em todas as pistinhas escuras de dança, que "Vapour Trail" jamais vai tocar novamente. E eu também, garanto, nem sou mais o mesmo.

Fiz uma tradução rápida dessa letra com toda a licença poética que a interpretação me dá, mas achei que "rastro de vapor" é uma imagem muito feia, talvez por ser uma tradução literal. Como o "vapour" está "num céu azul profundo", pensei em "traço de nuvem" ou "fio de nuvem", algo fino que se desvanece, como também pede a letra. E em se tratando de Ride é bem fácil ser uma canção de amor, mas à heroína...

Primeiro você parece tão forte
Depois se desvanece
O sol vai cegar meus olhos
Eu te amo mesmo assim
Primeiro você ensaia um sorriso
Eu olho por um instante
Você é um rastro de nuvem
Num céu azul profundo
play

9.7.09

CHEGA DE FRESCURA!

Nid & Sancy
"What You Want, What You Get"
Talk to the machine (2005)
H
Me disseram outro dia que eu parecia uma espécie de Maria do Bairro, porque me emociono com ítalo disco (um estilo geralmente associado à cafonice) e vibro com as frases simples de amor gritadas nessas músicas (ouça o post Ítalo Disco II, mais abaixo). Fiquei um pouco cismado com isso. Não é! É que há hora prá tudo. Por isso hoje resolvi postar uma coisa com um pouco mais de testosterona (apesar do vocal feminino) e tentar apagar essa imagem da frescura. É claro que eu curto eletrônica vibrante e de macho, pow!

JUSTICE ARRUMANDO MGMT

MGMT
"Electric Feel (Justice Remix)"
Single
H
Não, a foto não está errada. A música original é do MGMT, aquela banda "assim assim" que veio ao Brasil fazer playback em shows medíocres. Mas o mérito aqui é inteirinho do Justice, por ter transformado "Electric Feel" num arrasa quarteirão eletrônico com gosto de nu disco. Absurdo.

6.7.09

ÍTALO DISCO II

Pineapples
"Come On Closer"
Single (1983)
H
A sensação ao descobrir um som "novo", tosco e maravilhoso como este é parecida com a que eu tinha quando o Bebeto e o Romário faziam uma tabelinha e um dos dois marcava na Copa do Mundo de 1994. É aquela vontade de rir à toa.

Essa banda, a Pineapples, foi redescoberta recemente por causa da cover que um one-man-band conhecido como Moulinex fez desse som. Redescoberta em termos: bomba nos blogs por aí, o que já está ótimo hoje em dia.

1.7.09

MÚSICA DE PLAYBOY

Chris Lake feat. Emma Hewitt
"Carry Me Away"
Single (2007)
H
Uma vez fui num lugar muito legal (e ele jamais deixou de ser legal só por causa do que aconteceu). Era tão bom que fiquei lá até fechar. O dia já havia amanhecido. Não tocava esse tipo de dance music que estou postando agora, mas toda vez que ouço essa música eu me lembro da ocasião e de uma pessoa, a que me deu um soco bem na cara, enquanto eu estava na fila para pagar a comanda. Foi engraçado. Não me lembro bem o que eu fiz para ela. A bofetada não foi lá grande coisa, apesar do braço dele (era um rapaz) ser enorme. Meus óculos voaram e, a partir dali, decidi que eu usaria lentes de contato. Na verdade, cego, me senti um pouco frágil e inferior ao sujeito. Talvez ele fosse uma pessoa bacana, mas de algum modo eu o havia perturbado... Enfim, toda vez que ouço essa música eu me lembro não exatamente da fisionomia do agressor, e sim de um certo perfil, um playboy, alguém que deve escutar Chris Lake com Emma Hewitt no carro. Não deixa de ter bom gosto, afinal de contas essa música é maravilhosa...


27.6.09

MOONWALKER

O primeiro disco e o primeiro vídeo clipe a gente nunca esquece. Obrigado, Michael.

19.6.09

BENT + REVERSO 68

Bent
"Comin' Back (Reverso 68 Remix)"
Single (2004)
H
Eu poderia repetir agora o post "Friendly Fires-Aeroplane", trocando apenas os nomes das personagens. O estilo, o sentimento e a estrutura são os mesmos. Ecos de vozes femininas, o baixo bombando, uma dupla (Reverso 68) talentosa de produtores de nu disco (o quê?!) sugerindo uma reviravolta maravilhosa para um pop alheio ("Comin' Back", da banda indie eletrônica inglesa Bent) e não recomendado aos brutos de coração.

22.5.09

FRIENDLY FIRES + AEROPLANE

Friendly Fires
"Paris (Aeroplane Remix)"
Hed Kandi: Nu Disco (2009)
H
Oh, que saco! Eu acabei estourando meu headphone por causa do som do Mark-E (post anterior). Aquela música tem um baixo tão poderoso, que você precisa ouvir no talo - e não estraga os tímpanos, porque é um som muito bem mixado, puro. Então tive de improvisar com um outro fone, mas não é a mesma coisa. Quero de volta aquela sensação do sublime musical, como diz Schopenhauer. Essa música do Friendly Fires remixada pela dupla que atende por Aeroplane é qualquer coisa nesse sentido. É de chorar... Dá até ciúme colocá-la aqui.

O Friendly Fire é só uma banda indie inglesa de soft rock. O que pega é o Aeroplane. Tudo o que eles fazem é perfeito: space disco, nu disco, balearic, viagem... Essa pérola saiu numa coletânea de new disco da grife Hed Kandi e é perfeita.

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8.5.09

MARK-E

Mark-E
"Slave 1"
Slave 1 (2008)
H
Esse é o tipo do som gordo, como eu costumo chamar algumas coisas de nu disco, por causa do baixo pronunciado. Para apreciá-lo sem deixar passar os detalhes (a frase etérea repetitiva da menina) é preciso ter um headphone legal.

O Mark-E (acima, esquisito) é um dos caras mais sensacionais que eu tenho ouvido nas últimas semanas.


24.4.09

LAST A NIGHT A DJ...

Ta'Boo
"Over The Ledge (Rub Dub)"
Single (1983)
H
Se não existisse internet eu nunca mais ia escutar música na vida. Além de ter enjoado dos mesmos estilos, eu estaria impossibilitado de ouvir uma preciosidade dançante e estranha como essa banda nowave chamada Ta'Boo. Sim, porque esse som só uma pessoa no mundo possui. Ele tem um blog (Beat Electric) que é uma perdição. O cara é um dj americano, de uns 40 anos, que joga os discos mais obscuros da coleção dele na rede. Eu não aguento de tanta coisa boa.

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14.4.09

2007

Gui Boratto
"Beautiful Life"
Chromophobia (2007)
H
Outono de 2007, qualquer dia em um horário entre 14 e 15:30h. Eu estava engolindo fumaça de caminhão na calçada, caminhando três quilômetros até a academia, ouvindo essa linda música do Gui Boratto - vinte vezes no repeat. Não fosse por ela, aquele teria sido um ano ruim.

25.3.09

CREEP

Radiohead
São Paulo - Chácara do Jockey 22/03/2009
H
A nota mais triste deste show impecável e inesquecível não foi nenhum acorde de "Karma Police" ou de "Fake Plastic Trees". Um cara gordinho gritava emocionado alguns palavrões à minha frente. Era como se a banda fosse composta apenas de amigos do bairro ou de infância dele. Então para disfarçar o orgulho que ele tinha desses caras tão queridos, ele brincava xingando a mãe de todos - numa atitude meio sem noção, de alguém um tanto deslocado ou querendo atenção talvez. Mas o próprio Thom Yorke foi um sujeito que também não se encontrava, magro e com um olho torto. Muitas músicas dele falam sobre isso. Então por que um brasileiro, deslocado, que esperou tanto tempo para ver seus melhores "amigos" no palco não pode soltar uns impropérios para expressar esse amor estranho por eles? Simplesmente porque uma garota indie, do outro lado, começou a xingar o cara - e não porque ele era um amigo querido dela, mas porque ela estava com um ódio mortal dele. Ela o insultou e o mandou calar a boca. Humilhou-o. Era um show de rock e ela disse que ele estava atrapalhando. Um absurdo. O cara ficou chateado, quieto, envergonhado, triste e foi para a casa destruído num dia que deveria ter sido diferente, o melhor da vida dele, quem sabe...

11.3.09

RARIDADE

Reel 2 Real
"Toety (Erik Morillo Remix)"
This is Strictly Rhythm (1994)
H
Eu ainda estava naquela fase de formação do gosto musical quando ouvi pela primeira vez este single numa coletânea da Strictly Rhythm, que um cara da escola tinha me emprestado. Quando se é moleque as informações vão chegando e você não consegue decodificar todas elas direito. Sempre saiam umas matérias no Diário do Grande ABC sobre a vida maluca dos garotos de programa do centro de Santo André: eles ficavam perto do paço municipal, assaltavam uns coroas depois de fazer sexo com eles no meio da rua, usavam heroína com seringas coletivas e depois iam dançar num club GLS chamado Factory, do outro lado da cidade. Quando o cara que escrevia a matéria estava antenado, ele comentava sobre o som que rolava lá dentro: house e garage do selo Strickly Rhythm, que também era uma balada em Nova Iorque. Isso para mim era muito confuso, caótico. E a trilha daqueles tempos ficou ainda mais punk depois que o vinil contendo este remix caiu na minha mão. Que espécie de teclado infernal é este, eu me perguntava. E imaginava uma drag queen gigante e psicopata cantando essa "Toety". Engano, porque a dupla Reel 2 Real, na verdade, tinha influência de dancehall, coisa de macho. O vocal bizarro não era de uma drag e sim de um negão chamado The Mad Stuntman, cantor de Trinidad e Tobago.

play (+ pule a porcaria da propaganda do Mercado Livre!)

1.3.09

BOA VIAGEM

Animal Collective
My Girls (Hatchmatik Disco Bootleg)
Single
H
Essa banda, o Animal Collective, é insuportavelmente chata. Eu não consegui ficar dois minutos no show deles uma vez. No entanto, esse single aqui é um remix de nu disco. Ou seja, tem muito pouco a ver com o som cabeça original. Viagem incrível.

10.2.09

THE CURE

Juan McLean
Tito's Way (Reverso 68 Remix)
DFA Records Holiday Mix 2005
H
Me dê o prêmio Nobel de medicina por eu ter descoberto a cura para todo tipo de enfermidade - tudo o que leva as pessoas a ficarem desanimadas. Não há palavras para descrever a sensação que esse remix transmite. É uma felicidade estar vivo para ouvir uma coisa dessas. Paro por aqui para não repetir os mesmos clichês de todas as postagens deste blog.

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26.1.09

DIVERSÃO!

"Titãs - A Vida Até Parece Uma Festa"
Documentário (2009)
Direção: Oscar Rodrigues Alvez e Branco Mello
H
Assisti a este documentário maravilhoso outro dia. É tão empolgante que uns caras, já na casa dos quarenta anos, atrás de mim, começaram a dar uns chutinhos na poltrona. Eu pedi que eles parassem. Um deles ficou cabreiro e me mandou, claro, para a puta que me pariu. Tudo baixinho e sem escândalos. Fiquei meio nervoso, troquei de lugar para não arrumar mais confusão, mas senti que umas garotas do outro lado também estavam dando seus chutinhos. O fato é que você realmente tem vontade de sair pulando e pogando. O documentário não tem historinhas, há pouquíssimo discurso, é música do começo ao fim. E é delicioso ver o Silvio Santos dando uma de desentendido quando a banda vai buscar o Troféu Imprensa e as "colegas de trabalho" gritam "BICHOS ESCROTOS! BICHOS ESCROTOS!". Arrepia...

Agora, o documentário pede algumas reflexões: por que uma banda mancha uma carreira fantástica, quando, numa fase madura, passa a escrever músicas para consumidores de livros de autoajuda ("Epitáfio") e grava covers horrendos ("Brasília Amarela")? Eu sei que eles piraram quando o Marcelo Fromer morreu e perceberam que a vida não é uma festa, como quer a letra de "Diversão". Mas daí a por quase tudo a perder? Se tivessem parado no Acústico MTV, hoje seria cult discutir numa roda qual é o seu titã predileto, assim como fazem por aí com os Beatles. Bem, nem sempre se pode ser Deus.

24.1.09

DEADMAU5

Deadmau5
Not Exactly (Original Mix)
Single (2007)
H
Se você conseguir encontrar o perfil original da Priscila do BBB 9 e quiser traçar um perfil da moça pelas comunidades de que ela participa, verá que tudo leva à sacanagem: "Dia do Orgasmo", "Me bota no colo, me enlouqueça", "Uii, Delícia!", "Adoro uma tora grande". Talvez seja por isso que andam rolando boatos de que a matogrossense surgiu do meio artístico pornográfico. Ela nega. Eu acredito. Tá na cara que ela mexe com a libido da rapaziada, daí essas fantasias. Maldade. Ela não tem culpa de ter uma configuração genética que a conduza somente ao prazer selvagem (quase) ininterrupto. Quase, porque de vez em quando ela para o que mais gosta de fazer para dançar um pouco. Foi isso que eu percebi ao encontrar alguns vídeos de trance e electro no perfil dela. Entre eles, um desse Deadmau5, som que eu gostei bastante.

O Deadmau5 é um dj canadense de progressive e electro house que fala mal dos colegas e diz que essa profissão é pura picaretagem. Ele é tão popular quanto a Priscila, por isso eu tinha ignorado-o. Prefiro produtores obscuros e garotas branquelas. Só não posso negar que "Not Exactly" é dance music de emocionar, e que a BBB da foto é bonita, no mínimo.

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15.1.09

MELHOR DISCO DE 2008

Olá, Rodrigo,


Ouvi poucos discos inteiros no ano passado. Um deles foi o da Santogold, homônimo. É uma mistura de The Clash, dub, pop, Pixies, rnb, electro... A menina sabe tudo, o disco é bom demais. O Rockferry da Duffy também é excelente, mas eu não dei muita atenção porque sou uma farsa.

Abraço, bom ano.

13.11.08

SALLY SHAPIRO

Sally Shapiro
"I'll Be By Your Side"
Disco Romance (2006)
H
Self Control é uma daquelas músicas que todo mundo tem gravada na cabeça sem saber direito de onde ela veio. Mas o que Laura Branigan tem a ver com Sally Shapiro em termos musicais? Tudo. Esse docinho da foto, no entanto, dá um toque indie para a ítalo disco.

18.10.08

Estelle
"Wait a Minute (Just a Touch)"
Shine (2008)
H
Eu não tinha dado muita atenção para o hit que essa moça gravou com o Kanye West. Também tinha desconfiado das comparações, partindo dela mesma, com Amy Winehouse. Para mim era só mais uma Beyoncé. O preconceito é uma merda. Há tempos que uma música não me alegrava tanto a ponto de escutá-la várias e várias vezes em seguida. Só uma música poderosa como essa para me fazer postar alguma coisa nesse blog empoeirado.

16.9.08

BLOC PARTY

Bloc Party
"Banquet"
Silent Alarm (2005)
H
Sofri um acidente em 2005. Foi uma experiência absurda: de repente me vi fora de mim, sorrindo para mim mesmo, do alto, olhando para o pedaço do eu que tinha sobrado, o que estava amarrado numa maca e a caminho do hospital. Sirene. Eu tremendo de frio e algumas figuras bíblicas discutindo o meu passado. Ecoava uma música punk rápida e intensa na minha cabeça dolorida. A música predileta do álbum que eu mais ouvi naquele ano. Aí voltei para meu corpo e tive uma nova chance. Foi quando eu passei a ouvir bossa nova e dance music. Guitarras ainda me fazem lembrar do acidente.

5.9.08

LIBERTY CITY

Liberty City
"Some Lovin' (Murk Mix)"
Some Lovin' Single (1992)
H
Gosto do jeito que essas cantoras de house se entregam para a música. É como se o ato de soltar a voz fosse a última coisa que elas pudessem fazer na terra. O Liberty City é Ralph Falcon com Oscar Gaetan e estão por aí ainda gravando singles.

30.8.08

LUOMO

Luomo
'Good To Be With You"
Paper Tigers (2006)
H
A voz da eslavinha Johanna Iivanainen engana: o maravilhoso projeto Luomo é comandado por um cara loiro com cara de criança chamado Sasu Ripatti. O que é? Eletrônica minimalista para relaxar - ótimo para ler o jornal de domingo.



23.8.08

AIR FRANCE

Air France
"June Evenings"
No Way Down
H

Minha memória precisa de música para gravar os fatos. Se ouço Dot Allison ou Bloc Party me vem à mente tudo o que eu fiz em 2004 e 2006, respectivamente. As andanças e as frases. Daqui a alguns anos, muitos anos, vou lembrar de todos os passos (isso não é uma metáfora, são os passos na rua mesmo - olhando para o chão, para os lados ou para alguém em determinada hora, minuto e segundo), vou me lembrar de alegrias e cagadas desses últimos três meses ao ouvir "June Evenings", do Air France (o June veio por acaso). Apesar da aparência, eles não tocam rocks infantis e ainda prestam tributo aos Happy Mondays numa das faixas do disco. Étereo, baleárico, tranqüilo, "bliss post-rave" (como eu adoro esses rótulos da Wikipédia!). Minha trilha desses tempos.

22.8.08

ÍTALO DISCO

Cyber People
"Void Vision (Slow Version)"
Single

Na internet quase não há informação sobre o Ciber (ou Cyber) People. É tão underground que os caras nem esquentam para a grafia do nome. Também não sei se é da década de 80 ou 90. A música eletrônica tem desses mistérios: às vezes o cara é do... Duran Duran e você nem imagina. Mas o que importa nesse single é a diversão garantida.

11.8.08

PORNO FOR PYROS

Porno For Pyros
"Pets"
Porno For Pyros (1993)
H
A capa mais legal do rock. O cara mais cool da história da música. Uma sacada lírica simples e genial, sugerindo que nos entreguemos como animais de estimação a supostos seres de outro planeta, muito superiores a nós, humanos estúpidos andando em círculo ("crianças são inocentes/adolescentes têm merda na cabeça/adultos têm mais ainda/e o velhinhos são como crianças"). Música linda.

13.7.08

QUANTO TEMPO, HEIN?

O Blogspot ficou bacana: você pode deixá-lo mais bonito, colocando umas figurinhas ali do lado, pode montar uma "capa" diferente dos modelos oferecidos (acima), e está mais fácil colocar os links dos sites prediletos. O problema é que alguma coisa deu errado na configuração dele. Você digita o texto, muda a fonte, coloca fotos, música etc, mas quando vai visualizar... Trabalho perdido. É como se todos os seus comandos fossem inúteis! Daí a preguiça em postar uma música todos os dias, como era da minha vontade.

1.7.08

LES RITA MITSOUKO

Les Rita Mitsouko
"C'est Comme Ça"
The No Comprendo (1986)
H
Eu simplesmente piro nessa música! Como pode, fico pensando, ter alguém capaz de produzir uma coisa tão maravilhosa dessas? Fico imaginando o artista no momento da inspiração. "Pá! Achei! É isso!"

Quando ouço bandas como Les Rita Mitsouko paro pr'á refletir e desisto da idéia de vender meus cds de rock.

Em tempo: o Capital Inicial estragou essa "C'est Comme Ça" fazendo uma cover fraquinha dela recentemente.


25.6.08

OH, JOSEFINA!

Chris Rea
"Josephine"
Shamrock Diaries (1985)
H
Acho que é por causa do sabor disco dessa musiquinha cafona que eu gosto tanto.

21.6.08

3 NA MASSA

3 Na Massa
"O Seu Lugar" (com Thalma de Freitas)
Na Confraria das Sedutoras (2008)
H
Eu não posso me esquecer que este blog é sobre música pop. Ultimamente a coisa ficou um tanto xiita por aqui, com remixes meio cabeçudos de música eletrônica. Fase.

Mas um disco recente para ouvir no sossego e que achei uma delícia é este Na Confraria das Seduras. Os caras da cozinha da Nação Zumbi resolveram convidar algumas garotas lindíssimas e talentosas para um projeto de bossa nova (?) com pitadas de trip hop chamado 3 Na Massa.

É um disco tão belo quanto as convidadas! Escolher somente uma das faixas é uma tremenda injustiça.


18.6.08

KRIS MENACE

Heartache
"Numb (Kris Menace Remix)"
Single (2008)
H
Sempre que Kris Menace toca suas mãos na música de alguém, temos essa atmosfera.


17.6.08

THE PHONOGRAPH

The Phonograph
"Erasmus Is Not Your Life (Broke One Remix)"
Single (2008)
H
Acho o Broke One, que fez esse remix, melhor do que o próprio The Phonograph. Aqui, é como se o lado mais calmo do Depeche Mode (mas eles têm um outro lado?!) quase flertasse com a new rave.


HAÇIENDA CLASSICS (2)

Doug Lazy
House (Ozone Remix)
H.O.U.S.E. (1990 Atlantic Records)
H
Depois de Safire, uma boa virada com Doug Lazy. Para quem, como eu, gostava da dupla Eric B. & Rakim.

16.6.08

HAÇIENDA CLASSICS (1)

Safire
"Taste The Bass (Redzone Remix)"
Taste The Bass EP (1991)
H
Para quem tem o espírito Screamadelica.

10.6.08

ADEUS, DEVO

Padded Cell
" Konkorde Lafayette"
Single (2007)
H

Uma vez era para eu ter visto vários shows num festival. Mas cheguei numa tenda enorme onde havia apenas quatro pessoas que estavam meio tímidas, olhando para o dj Renato Ratier, que tomava tranqüilamente sua cerveja enquanto procurava o próximo cd para tocar. Adeus, Devo, CSS etc! Estava rolando essa "Konkorde Lafaytte" da dupla Padded Cell, que é totalmente hipnótica e me fez parar naquela discotecagem maluca por muitas horas. Baixo poderoso, bongôs baleáricos, solos e samples de metais de disco music. Absurdo.



9.6.08

NO MEIO DO CAMINHO TINHA UMA... CHUVA

Donnacha Costello
"Orange A"
Colorseries (2007)
H

Você acorda tarde num sábado ensolarado, pensando em ir num lugar legal, de preferência ao ar livre para aproveitar o dia. Sai de casa, mas no meio do caminho o tempo fecha e começa a chover. O trânsito não chega a parar, mas o asfalto está liso e os vidros do carro estão embaçados. Você não perde a paciência nem fica triste a ponto de querer morrer ouvindo Portishead. Mas então, o que escutar numa hora chata dessas?

É difícil para quem não gosta de música entender que não dá para escutar Ivete Sangalo, ou Chico Buarque, ou hip hop numa situação dessas. Há uma música para cada situação na vida. E nesta, acho que "Orange A" do Donnacha Costello é perfeita. É para isto que serve o minimal techno.

8.6.08

ATENTADO AO PUDOR

Spektrum
"Lychee Juice"
Enter... The Spectrum (2004)
H

O som do Spektrum é um funky-punk tão doido quanto seus integrantes, que costumam andar de bicicleta peladões pelas ruas. Enter...The Spektrum (2004), o primeiro álbum deles, também é uma espécie de atentado ao pudor: provocador e difícil de entender. Tem uma música ("Lycnee Juice") que ainda toca nas pistas de disco punk mais bacanas (leia o post Pílulas Anti-Desânimo) e é tão boa que você pode até permanecer vestido, mas vai dançar onde quer que a esteja ouvindo.


6.6.08

SORRY: ARTISTS NOT FOUND

The Maxx
"Cocaine"
Cocaine-Your Higness EP (1989)
H

Qualquer um pode dizer quem é o Liam Gallagher, o Alex Kapranos ou o Axl Rose. Uma bandinha indie desconhecida pode ser bem underground, mas vai ter um visualzinho clichê e um som fácil de identificar: "ah, é meio Sonic Youth", "ah, é meio Suede" ou então "ah, é meio Joy Division". Agora, olhe para essas figuras acima. Dá pra imaginar que são os responsáveis por um dos mais improváveis hits de dance music em todos os tempos? E quem são esses caras? Onde estão?

Se alguém procurar no Google por The Maxx, só vai encontrar o personagem dos quadrinhos. Ou no máximo o nome da dupla: Dominic Sas e Serge Ramaekers, os pais da criança new beat "Cocaine", que não consta nem no verbete sobre o estilo na wikipedia. A onda Belgian New Beat era muito legal. Nem vivi essa época, mas tenho muita saudade dela.



4.6.08

PÍLULAS ANTI-DESÂNIMO

Pink Monkey Flower
"Rodando A Carmen (LSB Remix)"
Rodando A Carmen EP (2007)
H

O Marcos Morcerf é dj residente no club D-Edge, todas as sextas, e mensalmente faz a festa Avesso, no Vegas Club - as duas casas em São Paulo. Ele também tem um projeto chamado Pink Monkey Flower, em que atua como produtor. O som do Pink é mais ou menos o que ele toca nas festas: cosmic disco, disco punk e afins (um pouco mais cru e menos emocional). O cara é muito gente boa e sua discotecagem tem poder de cura: é a única coisa que me faz sair de casa à noite.


3.6.08

MATEMÁTICA DO STEVE SPACEK

Steve Spacek
"Dollar"
Space Shift (2005)
H

Marvin Gaye + Prince = Steve Spacek. Como eu gosto de rótulos, o estilo de música que esse Steve Spacek faz a gente pode chamar de ambient soul, o que além de cool é verdadeiro, porque é uma espécie de black music reflexiva e eletrônica. Ele também sampleia (como a Ada do post de baixo), nessa linda "Dollar", do disco Space Shift (2005), um trecho de uma sílaba cantada (circula - yyyyyyyy - te) e a usa como uma nota de teclado que vai cortando a música até o fim. Bom isso!



1.6.08

MICROHOUSE

Ada
"Cool My Fire (I'm Burning)"
Blondie
H

Sem um bom headphone ou umas caixas legais você não pode apreciar Blondie, o disco de microhouse (adoro esses rótulos!) de uma garota alemã chamada Michaela Dippel, mais conhecida como Ada. Ela gravou este disco em 2004. De lá para cá nunca mais tive notícias (sei que ela discotecou em São Paulo, em 2005).

O que acho incrível nesta "Cool My Fire (I'm Burning)" é que ela sampleia uma parte da própria voz e usa o último som de algumas palavras (desire, por exemplo) como um segundo teclado, tocado com uma nota só.

30.5.08

GOTHS

Cassandra Complex
"Penny Century"
in Black Sundays Vol. II (data desconhecida)
H

A banda é Cassandra Complex. Não sei nada sobre ela, e isso mitifica a coisa toda, como por exemplo: as lembranças de ter dançado "Penny Century" com uma turma de amigos nos tempos do colegial, num club que não existe mais. Só sei que esta música faz parte de uma coletânea gótica chamada Black Sundays Compilation Two, a qual eu comprei de um gótico que precisava vender algumas coisas inúteis, como sua coleção de discos, para poder levar chocolates para a filha.

28.5.08

EXATAMENTE NO SEGUNDO MINUTO

Chemical Brothers
"Saturate"
We are the night (2007)
H

Putz, como eu gosto desses caras! O furacão "Block Rockin' Beats" passou em 1997. Era até comum ver roqueiros xiitas e senhorinhas respeitáveis arriscando uns passos de dança. Porque é impressionante a capacidade desses dois nerds ingleses (Tom Rowlands e Ed Simons) em tirar você do normal e te arrastar prá pista.

Classificar o som dos Chemical Brothers é difícil. Vale tecno, trip hop, big beats ou acid house, mas o importante é não esquecer que essa máquina de fazer música não trabalha sem o ingrediente humano fundamental: sentimento. Ouça essa "Saturate", que é do último e ótimo disco, We Are The Night (2007). Veja para onde ela te leva e tente sair ileso. Aquele "crescendo" (nem sei se é isso), impulsionado desde o começo por um teclado insano e acompanhado de uma batida mínima é a própria trajetória rumo a uma espécie de ataque cardíaco, motivado por uma sensação gostosa e estranha no início, mas que exatamente no segundo minuto mais dez segundos da música arrebenta seu peito.

12.5.08

EM TODOS OS LUGARES DO MUNDO

Moby
Play (1999)
H

Quando os arqueólogos do futuro estudarem nossa sociedade e cultura, o disco Play do Moby será tido como um marco na história da música. Na verdade, para mim, ele já é! Tirando as faixas experimentais de folk e IDM, o álbum inteiro tocava em todos os lugares em que você estivesse nos idos de 1999, 2000 e 2001. Pena que a maioria das pessoas sejam desatentas com a música pop (principalmente música eletrônica) e torcem o nariz para qualquer norte-americano, mesmo que ele seja vegan e pacifista como esse cara. Naquela época tocava o Play até nas festas de criança, com "Body Rock" alto na vitrola. Parava-se no posto de gasolina e, claro, dá-lhe "Honey". Fila do Carrefour? Opa, "Porcelain".

É um disco perfeito. Ainda hoje, quando escuto "Natural Blues", tenho a mesma sensação que tive na primeira vez que ouvi: um misto de alegria e tristeza, frio e calor, esperança e desencanto, sei lá, não sei... É incrível o Moby, só isso.

METRO AREA NA VIRADA CULTURAL

Eu tinha batido o carro na terça - estava de ônibus naquele sábado quente. Encontrei uma garota morena e linda, vestida de uma maneira que me agradou. Puxei conversa. Era conhecida (eu não teria tamanha ousadia se não fosse). Passei meu msn, mas ela não me adicionou. Disse que estava indo para uma tal de Virada Cultural no centro de São Paulo. Achei perigoso ela andando por aí (por que sempre achamos que as garotas espetaculares são frágeis e precisam da nossa proteção?). "Vou encontrar umas amigas pra irmos na Virada Cultural. Sério que você não tá ligado?" Ah, eu amava aquele palavreado rude, saindo daqueles lábios tão femininos e adoráveis! "Não, como é?" Ela citou artistas do calibre do Zé Ramalho, o que me fez ter uma péssima impressão da festa. Para piorar, no domingo o Fantástico queimou o filme do evento, mostrando brigas entre PMs mal pagos e manos insandecidos no show dos Racionais. Pobre Dani. Nunca mais vi aqueles lindos lábios no bairro, aquelas mãos delicadas e suas unhas bem feitinhas. Fiquei preocupado.

Mas nada. Semana passada, lá estava eu naquele mesmo centro onde a Dani estivera um ano atrás, e na mesma festa. Era o set do Metro Area, eu não poderia perder. Foi maravilhoso ouvir música boa (como esta aqui), ao ar livre, naquele centro velho restaurado que, sem os mendigos que por lá circulam durante a semana é bem charmoso. Enquanto descansava de dançar, tomando cerveja com amigos, olhei o céu negro, os prédios antigos e pessoas legais dançando. Várias garotas como a Dani. Entre uma faixa do Metro Area, cervejas, e outra faixa, pensei que ela pudesse estar ali - ou quem sabe morta desde o ano passado.